Deveríamos gastar menos do que ganhamos (e ainda poupar uma parte do salário).
Mas, na prática, sucumbimos ao cheque especial em prol de loucos desejos de consumo. Como emergir do buraco? Um expert em riqueza e uma
psicoterapeuta dão uma mão para você ver o saldo azul de novo. Desta vez vai!
PENSE EM DEZ amigas. Pelo menos doze não conseguem resistir àquela bolsa incrível da nova coleção, à calça jeans que virou must, às baladas da moda,aos cosméticos ultramodernos e ao que mais o mercado de consumo oferecer. Acontece que isso tudo custa dinheiro e parece que, por pura maldade divina, nosso salário é sempre mais curto do que a vontade de comprar. Resultado: Acabamos nos permitindo uma entradinha no cheque especial aqui, outra ali e, quando nos damos conta, a bola de neve já ganhou proporções catastróficas. Isso não é vida, concorda? Resolvemos pedir ao consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor do best seller Dinheiro — Os Segredos de Quem Tem (Gente), que indicasse o caminho para mudar essa situação de uma vez por todas. E, como sabemos que pode ser bastante difícil colocar a teoria em prática, a psicoterapeuta Amelia Nascimento entrega seus segredos para tornar essa missão menos penosa.
Não tem como não dar certo!
1. Reunir todas as dívidas em um só lugar
A TEORIA Imagine um balde com um único furo e outro com dez. Qual vazamento é mais fácil de controlar? O mesmo acontece com as suas dívidas. “A estratégia correta é somar tudo o que deve de cheque especial, cartão de crédito… e pedir empréstimo ao banco”, ensina Cerbasi. “Assim, além de gerenciar melhor a situação, paga taxas mais baixas. E, quando sentar-se com o gerente, pechinche.” Facilita a negociação dividir o montante no menor número de parcelas possível.
A PRÁTICA Mesmo que você queira se esconder embaixo da mesa do gerente de tanta vergonha, lembrese de que não é a primeira pessoa a ter de enfrentar essa situação. “Quase todo mundo possui dívidas, mas só os honestos se preocupam em pagá-las”, lembra Amelia. “E não se esqueça de que o banco não está prestando um favor a você. Ele cobra juros e lucra com o empréstimo.” Também vale fazer um exercício de mentalização: “Imagine-se saindo da agência contente e tranqüila. Se estiver confiante, conseguirá argumentar melhor”.
2. Cortar gastos extras por três meses (e contar aos amigos)
A TEORIA Do mesmo jeito que não funciona tomar mais uma cerveja para curar a ressaca, fazer novo gasto não vai ajudar a afogar as mágoas causadas pelo saldo bancário negativo. Cerbasi orienta cortar, por três meses, tudo o que é supérfluo: de manicure e jantares toda semana a encher o carrinho de supermercado com doces e petiscos. “Para sair do vermelho, é preciso eliminar radicalmente o que não é essencial. Lógico que por um curto período, senão ninguém agüenta.” Ele garante que, se a dívida for igual ao valor da sua renda mensal, você conseguirá saná-la em 90 dias reduzindo um terço dos gastos por mês. Tomada essa decisão, é importante compartilhá-la com a família e os amigos. “Assim, eles poderão ajudá-la.”
A PRÁTICA Como aceitar a frustração de passar por privações? “É bom sempre pensar naalegria que você sentirá ao conquistar a paz financeira, em quanto ficará
orgulhosa de si mesma por conseguir sair do sufoco e poder pagar um curso ou a reforma do quarto, por exemplo”, diz Amelia. Ela acrescenta que, por contar seu esforço de fechar a torneira de despesas aos amigos, você não corre o risco de se isolar. “Eles estão aí para dar força nessas horas, propondo programas baratos para o fim de semana e lembrando-a de seu objetivo quando ameaçar fraquejar.”
3. Mudar o padrão de consumo
A TEORIA Nesse período de vacas magras, é decisivo trocar as marcas de produtos (como cosméticos) e grifes de roupa que usa por outras mais em conta. “Não é que nunca mais vai entrar nas lojas de que gosta, mas, se anda gastando além do que ganha, primeiro terá de reorganizar suas contas”, avisa Cerbasi.
A PRÁTICA Um truque para facilitar esses dias de dieta financeira é parar de reclamar da vida e posar de coitadinha. “Em vez de comentar com as amigas que não pode ir com elas àquele bazar badalado porque seu dinheiro foi para o ralo, diga frases positivas, como ‘Hoje não dá, mas me aguardem no próximo!’ Com esse tipo de reafirmação, você fica mais tranqüila, confiante e esperançosa, pois enxerga uma luz no fim do túnel.”
4. Comprar em gotas
A TEORIA “Não compensa encher o tanque do carro se, para isso, precisar entrar no cheque especial”, diz Cerbasi. “Por que pagar juros para adquirir algo que não vai usar imediatamente? Ponha só o indispensável.” Esse raciocínio vale para a tentação de estocar produtos só porque estão liquidando ou em promoção. “Você pode até achar vantajoso comprar mais um hidratante com 50 centavos de desconto, mas os juros engolem essa economia”, explica. Então, só compre outro xampu quando o seu acabar.
A PRÁTICA Para controlar os impulsos consumistas, Amelia aconselha listar o que realmente precisa antes de sair de casa. “Se o que acabou foi o desodorante, nada de levar também mais um perfume.”
5. Escrever suas metas a partir de agora
A TEORIA Finalmente, Cerbasi aconselha colocar no papel os compromissos que pretende assumir consigo mesma. Tipo: ‘Não usarei o cheque especial’, ‘Vou parar de passar pré-datados’, ‘Guardarei dinheiro para viajar no fim do ano’. Quando pensar em se endividar de novo, olhar suas novas metas servirá de escudo protetor.
A PRÁTICA Segundo Amelia, ao escrever seus objetivos, você envia uma mensagem ao inconsciente definindo metas e datas para que elas ocorram. “E é muito saudável fazer projetos para o futuro, pois quando a pessoa está endividada tem a sensação de que nunca mais conseguirá sair do buraco.” Por isso, depois de programar como vai quitar sua dívida, imagine quando terá condições de iniciar sua poupança para trocar de carro, por exemplo.
Nota 10 para o seu empenho.